quarta-feira, 9 de abril de 2014

Volta ao lar

Em Brasília, dezenove horas...
Rodoferroviária, estação do metrô lotada. Há quarenta minutos, Maria do Socorro, empregada doméstica, espera cansada. Ela está preocupada em voltar para casa na Ceilândia Sul e  colocar o jantar para o marido e dois filhos pequenos.
E o trem não chega. A greve continua, companheira!
Quer sair dali. Olha pros lados, atordoada, coça a cabeça e vê toda aquela gente apertada no mesmo embrulho. Cada um com seus problemas (aos zilhões).
O calor aumenta. O celular não pega. O sinal tá fraco.
Como avisar aos meninos? Será que o feijão azedou? A roupa secou?
E cada vez mais gente...


























Um grevista passa e entrega um panfleto. Ela lê as reclamações e até compreende os motivos da paralização. Mas como voltar pra casa?
Mexe na bolsa. Come um biscoito doce. Guarda os óculos embaçados.
O sapato aperta e aumenta o cansaço. Pensa em voltar pra casa da patroa. É só andar duas quadras a pé.
Xiii! Não tem a chave e a madame só volta da faculdade lá pelas onze horas.
Situação difícil.

Greve provoca filas e atraso
E cada vez mais gente...
Oito e vinte da noite. Vai perder a novela. Sobe a rampa.
Ufa!!! Chegou um ônibus pirata. Dez reais... fazer o quê?
O jantar da família? Sei lá. Em casa se resolve.
Amanhã é tudo de novo. 
A patroa vai entender o atraso. 
Ela é gente boa!