Em Brasília,
dezenove horas...
Rodoferroviária, estação do metrô lotada. Há quarenta
minutos, Maria do Socorro, empregada doméstica, espera cansada. Ela está preocupada
em voltar para casa na Ceilândia Sul e
colocar o jantar para o marido e dois filhos pequenos.
E o trem não chega. A greve continua, companheira!
Quer sair dali. Olha pros lados, atordoada, coça a
cabeça e vê toda aquela gente apertada no mesmo embrulho. Cada um com seus problemas
(aos zilhões).
O calor aumenta. O celular não pega. O sinal tá fraco.
Como avisar aos meninos? Será que o feijão azedou? A
roupa secou?
E cada vez mais gente...
E cada vez mais gente...
Mexe na bolsa. Come um biscoito doce. Guarda os óculos
embaçados.
O sapato aperta e aumenta o cansaço. Pensa em voltar
pra casa da patroa. É só andar duas quadras a pé.
Xiii! Não tem a chave e a madame só volta da faculdade
lá pelas onze horas.
Situação difícil.
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| Greve provoca filas e atraso |
E cada vez mais gente...
Oito e vinte da noite. Vai perder a novela. Sobe a rampa.
Ufa!!! Chegou um ônibus pirata. Dez reais... fazer o quê?
O jantar da família? Sei lá. Em casa se resolve.
O jantar da família? Sei lá. Em casa se resolve.
Amanhã é tudo de novo.
A patroa vai entender o atraso.
Ela é gente boa!
Ela é gente boa!

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